O Riso é uma Porta

Observe uma criança: observe seu riso – tão profundo, ele vem de dentro. Quando a criança nasce, a primeira atividade social que ela aprende – ou talvez não seja certo dizer “aprende”, pois ela já traz consigo – é sorrir; ao sorrir ela se torna parte da sociedade. Parece muito natural, muito espontâneo. Outras coisas virão mais tarde – esse é o primeiro sinal de estar no mundo. Quando a mãe vê seu filho sorrindo ela fica tremendamente feliz– porque esse sorriso mostra saúde, inteligência. Esse sorriso mostra que a criança será feliz, viverá. Sorrir é a primeira atividade social e deveria permanecer a atividade social básica. A pessoa inicial deveria continuar capaz de rir por toda a vida. Se você puder rir em todo tipo de situação, você se tornará realmente capaz de enfrentá-las – e esse enfrentar trará maturidade. Não estou dizendo para não chorar. Na verdade, se você pode rir também pode chorar. O riso e o choro caminham juntos dentro de um verdadeiro ser. Existem milhões de pessoas cujas lágrimas secaram; seus olhos perderam o brilho, profundidade. Porque elas não podem derramar lágrimas, não podem chorar; as lágrimas não podem fluir naturalmente. Se o riso for mutilado as lágrimas também serão. Somente uma pessoa que ri bem pode chorar bem.

Se você pode chorar e rir bem, você está vivo. O homem morto não pode rir nem chorar. O homem morto pode ser sério. Observe: olhe para um cadáver – o homem morto consegue ficar sério de uma maneira mais perfeita que você. Somente um homem vivo pode rir e chorar. Esses são estados do seu interior, são humores enriquecedores. Mas, aos poucos, todos se esquecem. Aquilo que era natural no começo se torna artificial. Você precisa de que alguém cutuque para você rir, que faça cócegas – só assim você ri. É por isso que existem tantas piadas no mundo. O que estou tentando mostrar é isso: nós rimos somente quando existe uma razão que nos force a rir. Contam uma piada e você ri – porque uma piada cria uma certa excitação em você. Todo o mecanismo de uma piada é: a história vai numa direção e, de repente, ela muda de direção; a virada é tão súbita, tão drástica, que você não poderia tê-la previsto. A excitação cresce e você fica esperando pela parte final, onde está o sentido e a graça. E então, o que quer que você esteja esperando nunca vem – algo absolutamente diferente acontece, não preenchendo as expectativas. Uma piada nunca é lógica, ela perderá toda a graça. Então, quando uma piada estiver sendo contada, você já terá chegado no final, porque será um silogismo, será simples aritmética. Mas aí ela não terá a mínima graça. Uma piada faz uma virada tão repentina que você não será capaz de prever. Ela dá um salto, um salto quântico – e é por isso que ela libera tanta risada. É uma maneira psicológica de se fazer cócegas. O riso traz força. Atualmente até mesmo a ciência médica diz que o riso é um dos remédios que agem mais profundamente que a natureza proporcionou ao homem. Se você puder rir quando estiver doente recuperará a saúde mais cedo. Se você não puder rir, mesmo não estando doente, mais cedo ou mais tarde você adoecerá.

O riso traz energia da fonte interna para a superfície. A energia começa a fluir, segue o riso como uma sombra. Você já observou isso? Quando você realmente ri, durante aqueles momentos que está em estado meditativo? O pensamento pára. É impossível rir e pensar ao mesmo tempo. São coisas diametralmente opostas: ou você ri, ou você pensa. Se você está rindo de verdade o pensamento pára. Se você ainda estiver pensando o riso será fraco, devagar, não será total. Será um riso mutilado. Quando você ri de verdade a mente desaparece. E toda a metodologia zen é de como entrar na não-mente. O riso é uma das portas mais bonitas para se entrar nela.

Tanto quanto eu sei, a dança e o riso são as melhores portas, as mais naturais, as mais facilmente acessíveis. Se você realmente dançar, o pensamento pára. Você dança sem parar e todas as fronteiras, todas as divisões desaparecem. Você nem mesmo sabe onde seu corpo começa ou onde termina. Você se dissolve na existência e ela em você; há uma superposição de fronteiras. E se você estiver realmente dançando – não controlando a dança, mas deixando que ela o conduza – se você estiver possuído pela dança, o pensamento pára. O mesmo acontece com o riso. Se você estiver possuído pelo riso o pensamento pára. E se você conhece alguns momentos de não-mente, esse vislumbres são promessas de muito mais recompensas que estão por vir. Você tem que se tornar cada vez mais natureza, da qualidade da não-mente. Cada vez mais o pensamento tem que ser abandonado. O riso pode ser uma bela introdução a um estado de não-pensamento.

Osho – Vida, Amor e Riso vol.2

Meditação do Riso – dia 21 de maio
Na Casa Jaya, em Pinheiros – São Paulo

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